domingo, 11 de março de 2012

Poema 29 - Sou apenas a minha solidão


Sou apenas a minha solidão,
Um resto que ficou do jantar,
Exercício de piedade
De quem não deita comida fora,
Por respeito a quem morre de fome.

Sou apenas a minha ruína,
A janela de vidros partidos,
A caliça a cair das paredes,
Os móveis afundados no soalho,
Quebrados pelo peso do pó.

Sou apenas a minha morte,
Sombra que irrompe na madrugada,
Abre as flores do jardim,
Avança tranquila no caminho;
A vitória, no fim da viagem.

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