terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Centeno e a política


A situação de Mário Centeno - os ataques que a oposição lhe dirige devido à questão da alegada promessa feita aos ex-gestores da CGD sobre a isenção de entrega da declaração de rendimentos no Tribunal Constitucional - torna evidente o que está em jogo na política. Se olharmos o desempenho do ministro parece claro que foi um óptimo desempenho, um dos melhores desempenhos no cargo desde há muito. Em política, porém, não é a qualidade do desempenho ou o interesse colectivo que está em jogo, mas pura e simplesmente o poder. O resto é instrumental, serve apenas para conquistar ou manter o poder,

Do ponto de vista das finanças, os últimos dias são um grande triunfo para Mário Centeno e, no entanto, ele encontra-se completamente fragilizado. A oposição, perante a completa derrota das suas previsões catastrofistas, pegou no que tinha à mão, o obscuro assunto da contratação de António Domingues e da sua equipa para a CGD, e, como é natural, não vai largar o assunto enquanto imaginar que isso desgasta o governo. Em tudo o que estamos a assistir só uma coisa está em jogo: a manutenção ou a conquista do poder. E sejamos claros: se fosse ao contrário, a esquerda faria exactamente a mesma coisa.

Para nós cidadãos, este tipo de atitude das oposições é mau? Não. É o papel da oposição e este papel é, na ânsia de chegar ao poder, o de limitar o poder de quem governa. Este papel lembra, a cada momento, que a governação deve obedecer à lei e que todos os seus actos estão sob escrutínio público. Por outro lado, este caso mostra que a política não é para ingénuos. Por norma, são trucidados por desconhecimento real das regras explícitas e, ainda mais importantes, das regras implícitas do jogo. É possível que Mário Centeno seja imolado no processo. Caso isso aconteça, o governo e o país perderão um bom ministro? Claro que sim. Para a oposição o facto de Mário Centeno ser um excelente ministro é uma razão para que ele seja derrubado. Parece imoral? Parece, mas o problema não está aí. A política não trata da moral, mas do poder. São essas as regras do jogo e o jogo não admite condescendências.