quarta-feira, 5 de abril de 2017

O perdão de Buda

Eddie Adams - Moment of execution, February 1, 1968

Consta que após disparar sobre o guerrilheiro Vietcong aprisionado, o general sul-vietnamita Nguyen Ngoc Loan, chefe da polícia nacional, se terá dirigido aos repórteres que assistiram à cena e dito: estes tipos matam muita gente do nosso lado, julgo que o Buda me há-de perdoar.  Não faço ideia se o Buda o terá ou não perdoado. Seja como for, a frase denota que havia uma clara consciência de que se estava a praticar algo de muito grave, cujo perdão estaria, se estivesse, a cargo do Buda. E é esta relação entre a prática do mal e a consciência dessa prática, presente em todos nós, que parece explicar a necessidade de mitos como o do pecado original e a consequente expulsão do paraíso. Esses mitos falam menos do hipotético paraíso e mais, muito mais, da realidade que é dada ao homem viver. Só uma desmesurada ilusão pôde fazer acreditar que era possível construir na terra um paraíso. Talvez um Buda possa perdoar as acções dos homens, mas é duvidoso que a eternidade chegue para perdoar tudo o que terá por perdoar.