sábado, 22 de julho de 2017

O velho Trabant

Thomas Hoepker - Damaged Trabant car and boy carting coal. Dresden, Saxony, RDA, 1990

Esta fotografia de 1990, o ano seguinte à queda do Muro de Berlim, é o sinal cruel da derrota do chamado socialismo real. Na verdade, as experiências socialistas iniciadas em 1917 - há um século atrás, portanto - falharam por todo o lado. Não conseguiram, enquanto vigoraram, fornecer aos cidadãos dos respectivos países dois bens essenciais segundo o credo do progresso que alimentou as crenças tanto de liberais como de marxistas. Nem a liberdade nem a prosperidade. Relativamente à liberdade, o sinal foi dado de imediato por Lenine em 1918, com a dissolução da Assembleia Constituinte democraticamente eleita e a imposição de uma ditadura, a qual se tornou o arquétipo para as outras experiências da gloriosa marcha em direcção ao homem novo e à sociedade comunista. Do ponto de vista da prosperidade, a economia planificada e estatizada foi completamente incapaz de concorrer com a economia de mercado ocidental assente na iniciativa privada e na liberdade de investimento, embora escorada, muitas vezes, num Estado social forte. O sonho de várias gerações de revolucionários adeptos do novo mundo, por muito que o neguem, acabou resumido a um velho Trabant, sem rodas, que ninguém quer ou sequer lamenta.